ERS publica novos resultados do SINAS@Hospitais

2018/01/05

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) divulga os resultados da segunda avaliação de 2017, no âmbito do módulo SINAS@Hospitais do Sistema Nacional de Avaliação em Saúde (SINAS), nas dimensões Excelência Clínica, Segurança do Doente, Adequação e Conforto das Instalações, Focalização no Utente e Satisfação do Utente.

A avaliação e a classificação efetuadas processam-se em dois níveis. No primeiro confirma-se o cumprimento dos critérios considerados essenciais para a prestação de cuidados de saúde com qualidade. A validação desse cumprimento, demonstrada pela atribuição de uma estrela, permite ao prestador o acesso ao segundo nível de avaliação, no qual se processa a classificação em rating, para cada uma das áreas em avaliação, num de três níveis de qualidade: nível de qualidade III, II ou I, conforme os prestadores estejam posicionados no nível de qualidade superior, no nível de qualidade intermédio ou no nível de qualidade de base.

Realça-se que a metodologia utilizada pelo SINAS é diferente de um ranking, onde os prestadores surgiriam listados por ordem decrescente de desempenho, não sendo adequadas qualificações do tipo “melhor hospital” atribuídas individualmente aos prestadores, devendo-se, pelo contrário, considerar a integração dos prestadores em grupos de hospitais que obtiveram as melhores avaliações, em cada uma das áreas. Para além disso, as classificações traduzem o desempenho apenas nas áreas concretamente avaliadas em cada prestador, não se podendo fazer extrapolações sobre o desempenho do hospital como um todo. Assim, a interpretação dos resultados publicados pelo SINAS deve atender à natureza da metodologia de avaliação adotada.

Acresce que o número de áreas em que cada prestador é avaliado depende não só do caráter voluntário do sistema, mas também da natureza e grau de diferenciação dos estabelecimentos em causa, em função das valências de que dispõem. Com efeito, o facto de um determinado prestador ser avaliado em mais áreas poderá refletir um maior nível de diferenciação na tipologia de cuidados prestados, maior valorização da cultura de qualidade e avaliação e uma estratégia de gestão da própria instituição.

Resultados

Na presente publicação foram avaliados 159 prestadores de cuidados de saúde de natureza hospitalar, dos setores público, privado e social, de todo o território nacional, concretizando uma avaliação multidimensional da qualidade dos serviços de saúde. O número de prestadores envolvidos na avaliação tem-se mantido pouco oscilante nos últimos anos, com pontuais alterações no grupo de participantes, decorrentes quer do fecho de algumas unidades hospitalares, quer da abertura de novas unidades.

A avaliação da dimensão Excelência Clínica incidiu sobre episódios de internamento com alta entre 1 de janeiro de 2016 a 31 de dezembro de 2016, refletindo a performance anual dos prestadores de cuidados envolvidos, relativa a procedimentos e/ou diagnósticos nas áreas de Angiologia e Cirurgia Vascular (Cirurgia de Revascularização Arterial), Cardiologia (Enfarte Agudo do Miocárdio), Cirurgia de Ambulatório, Cirurgia Cardíaca (Cirurgia Valvular e outra Cirurgia Cardíaca não Coronária e Cirurgia de Revascularização do Miocárdio), Cirurgia Geral (Cirurgia do Cólon), Cuidados Intensivos (Unidade de Cuidados Intensivos), Cuidados Transversais (Avaliação da Dor Aguda e Tromboembolismo Venoso no Internamento), Ginecologia (Histerectomias), Neurologia (Acidente Vascular Cerebral), Obstetrícia (Partos e Cuidados Pré-Natais), Ortopedia (Artroplastias da Anca e Joelho e correção cirúrgica de fraturas proximais do fémur) e Pediatria (Pneumonia e Cuidados Neonatais).

Destaca-se que dos 159 estabelecimentos atualmente abrangidos pelo SINAS@Hospitais, 125 (79%) obtiveram classificação nesta dimensão e 112 (90%) destes conseguiram a atribuição da estrela correspondente ao primeiro nível de avaliação.

Ainda na dimensão Excelência Clínica, tendo em conta os valores de referência dos indicadores avaliados, verifica-se uma melhoria global do cumprimento de alguns dos indicadores de processo associados às áreas cirúrgicas, nomeadamente nos relacionados com a seleção (Ortopedia [Artroplastias da Anca e Joelho]), administração (Cirurgia Vascular [Cirurgia de Revascularização Arterial] e Cirurgia Geral [Cirurgia do Cólon]) e interrupção da antibioterapia profilática dentro do período preconizado (Ortopedia [Artroplastias da Anca e Joelho], Ginecologia [Histerectomias], Cirurgia Cardíaca [Cirurgia de Revascularização do Miocárdio e Cirurgia Valvular e outra cirurgia cardíaca não coronária], Cirurgia Geral [Cirurgia do Cólon]).

Especificamente nas áreas da Ginecologia (Histerectomias) e Cirurgia Geral (Cirurgia do Cólon) constatou-se igualmente uma melhoria nos valores de referência dos indicadores que avaliam a prescrição adequada da profilaxia do tromboembolismo venoso e a sua administração no período temporal desejável.

No universo dos prestadores participantes, verificou-se uma melhoria dos valores de referência dos indicadores das restantes áreas médicas:
• Pediatria (Pneumonias – colheita de sangue para hemocultura no momento adequado e início da antibioterapia nas primeiras seis horas após a chegada ao hospital);
• Neurologia relativos ao Acidente Vascular Cerebral (Administração da profilaxia do tromboembolismo venoso e da terapêutica trombolítica dentro do período definido, a prescrição na alta de terapêutica anticoagulante em doentes com fibrilação/flutter auricular, Prescrição da terapêutica antitrombótica e de estatina na alta);
• Cardiologia relativos ao Enfarte Agudo do Miocárdio (Prescrição de ácido acetilsalicílico na alta, intervenção coronária percutânea (ICP) primária realizada nos primeiros 90 minutos após chegada ao prestador e a prescrição de estatina na alta), da área de Obstetrícia (Administração pré-natal de esteroides);
Cirurgia de Ambulatório (quanto à seleção do doente para a administração da profilaxia de náuseas e vómitos, seleção da profilaxia de náuseas e vómitos adequada, avaliação da dor no pós operatório, cedência da medicação analgésica na alta, ensino na alta, cedência da medicação analgésica na alta e avaliação do pós operatório nas 24h após a cirurgia);
Unidade de Cuidados Intensivos (Prevenção da pneumonia associada a ventilador através do posicionamento do doente e Profilaxia do tromboembolismo Venoso);
• Cuidados Transversais relativos à Tromboembolismo Venoso no Internamento (Profilaxia do tromboembolismo venoso, terapêutica anticoagulante em doentes com tromboembolismo venoso e o Ensino na alta a doentes com tromboembolismo venoso a realizar terapêutica anticoagulante com antivitamínicos-K);
• Cuidados Transversais relativos à Avaliação da Dor Aguda (Registos regulares da intensidade da dor em doentes não cirúrgicos e cirúrgicos)

A estabilidade do sistema é uma das suas mais-valias, tendo-se verificado, ao longo de todo este processo, uma melhoria do desempenho médio em alguns dos indicadores de processo avaliados, alguns dos quais já com patamares elevados de cumprimento (entre os 90% e os 100%) em diferentes áreas como a Ortopedia, a Ginecologia, a Cirurgia do Cólon, a Cirurgia de Revascularização do Miocárdio, a Cirurgia Cardíaca, a Cirurgia de Ambulatório, o Enfarte Agudo do Miocárdio, o Acidente Vascular Cerebral, a Obstetrícia e Unidade de Cuidados Intensivos.

Relativamente às restantes dimensões (Segurança do Doente – Procedimentos de Segurança, Adequação e Conforto das Instalações, Focalização no Utente e Satisfação do Utente), a informação foi recolhida e remetida à ERS pelos prestadores participantes, através de check lists, entre agosto e novembro de 2017.

Quanto à dimensão Segurança do Doente – Procedimentos de Segurança, dos 159 prestadores envolvidos no sistema de avaliação 106 (67%) conseguiram a atribuição da estrela correspondente ao primeiro nível de avaliação, com a seguinte distribuição por níveis de rating (segundo nível de avaliação): 68 prestadores (64%) obtiveram rating nível de qualidade III, 25 (24%) obtiveram rating nível de qualidade II e 13 (12%) rating nível de qualidade I.

Quanto à dimensão Adequação e Conforto das Instalações, 111 prestadores (70%) dos 159 avaliados conseguiram obter o primeiro nível de avaliação (atribuição da estrela). Destes 111 prestadores, 43 (39%) conseguiram alcançar o rating nível de qualidade III, 52 (47%) o rating nível de qualidade II e 16 (14%) o rating nível de qualidade I.

Na dimensão Focalização no Utente 123 prestadores (77%) alcançaram o primeiro nível de avaliação. Destes, 70 prestadores (57%) ficaram classificados no rating nível de qualidade III, 49 nível de qualidade II (40%) e 4 nível de qualidade I (3%).

Por fim e quanto à dimensão Satisfação do Utente (onde apenas se afere da existência de uma cultura de avaliação da satisfação dos utentes), 136 prestadores (86%) afirmaram realizar inquéritos de satisfação dos seus utentes.

Com o intuito de motivar a melhoria contínua, a ERS valida a informação submetida pelos prestadores, através de auditorias periódicas e aleatórias. No ano de 2017 foram realizadas 64 destas ações.

Consultar documento síntese da publicação

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